O depoimento de Fernanda seu envolvimento com o projeto

 

Eu e a Alessandra
Alessandra e eu!

E aí numa noite virando de lado bati com a mão no meu seio e senti algo duro, voltei e examinei melhor o local, mas não me preocupei porque dali uma semana tinha consulta com a ginecologista. Estava tranquila porque tinha feito todos os exames há 8 meses apenas, e eu fazia a cada seis meses, pois minha mãe teve câncer de mama aos 57 anos e esta bem até hoje, com seus 92.

Alessandra existia na minha vida por ser filha de uma amiga querida,e como todos, eu também me encantava com sua energia, sua alegria pra festas e viagens e acompanhava sua luta com o câncer.

No dia da consulta a medica apalpou e me disse: – “Se for algo, é pequeno”. E pediu exames mamografia e ultrassonografia.

Os exames indicavam que se tratava de um tumor com características malignas, o que foi confirmado pela biopsia. Meu mundo caiu e fiquei sem chão! Então me lembrei da Ale lutando contra a doença cheia de vida… isso me deu força para enfrentar e conseguir parar de ter pena de mim.

Fiz a cirurgia, retirei um quadrante e, dias depois meu medico me ligou dizendo o resultado da biopsia. Meu tumor era agressivo, teria que fazer quimioterapia e meu cabelo iria cair. Pela segunda vez meu mundo tornou a cair.

Liguei para Alessandra e ela me disse pra ir tomar um vinho com ela a noite depois do trabalho.

Ninguém diria que eu estava diante de uma pessoa em tratamento de câncer, tamanha vitalidade! Tomamos o vinho enquanto ela me contava algo engraçado da sua rotina e então fiz a pergunta que já foi pronta na minha mente: -“Ale, você sempre fica bem assim? Essa alegria é constante?” Ela me respondeu: – “Não, nem sempre…. às vezes a gente cai… mas levanta logo.”

A noite terminou comigo experimentando as suas perucas e dando muita risada porque ela tinha cabelo preto e eu cabelo loiro, e descobrimos que eu ficava bem de cabelo escuro. Entramos no site e vimos várias perucas que, acabei comprando.

Fiz a quimioterapia e, 14 dias depois, passando a mão na cabeça, meu cabelo saiu na minha mão. Eu achava que estava preparada porque sabia que isso iria acontecer, mas, quando acontece é um choque! Liguei pra Ale que me disse para raspar tudo ou cortar bem curtinho porque as perucas já haviam chegado. Segui o conselho dela e  fui à minha cabeleireira que, com lágrimas nos olhos, cortou meu cabelo joãozinho. No dia seguinte meu travesseiro estava repleto de cabelos, o que me deu mais desespero. Pedi ao meu marido que raspasse minha cabeça. Lembro até hoje do barulho da máquina e minhas lagrimas lavando meu rosto.

Meu marido usava barba desde seus 18 anos, sempre curta e aparada, era sua maior vaidade, estava com 64 anos. Em solidariedade a mim, raspou a barba.

Alessandra, sempre presente, me ajudava dando dicas de como não passar tão mal durante a químio. Os efeitos vinham no segundo dia e, a dica dela, que me ajudava muito, era ficar quietinha deitada sem falar com ninguém, via filmes ou dormia. Depois de dois dias estava ótima.

Terminei o tratamento e nesse tempo o câncer da Ale tinha voltado. Um ano depois meu câncer voltou na mesma mama e na axila. Novamente Ale me inspirou a encarar de frente a doença. Desta vez tinha um problema maior, minha filha iria se casar dia 10 de agosto e estávamos no dia 4 de julho. O médico me disse que não poderia esperar um mês, então operamos no dia 10, exatamente um mês antes do casamento.

Desta vez fiz mastectomia total nas duas mamas e esvaziei axila. Fiz a reconstrução na mesma cirurgia, que demorou 9 horas. Precisei tirar um pedaço do músculo das costas, com pele, porque como tinha feito Radioterapia, a pele não tinha elasticidade pra segurar a prótese. A pele se rompe no lugar que se aplica a Radio.

Depois da cirurgia, vim pra casa com 8 drenos e, 15 dias antes do casamento a mama esquerda estava com seroma (liquido amarelo que se acumula no lugar). Retirei meio litro de líquido ate 5 dias antes do casamento.

Nesse meio tempo Ale teve problemas com seu cateter que teve que ser retirado e colocado externamente no braço, o que não a impediu de estar linda e alegre no dia do casamento de minha filha, mesmo com a faixa tampando o cateter.

Ia me esquecendo de contar que Ale ajudou demais no chá de cozinha, foi na rua 25 de Março comprar enfeites para o chá e fez os cupcakes. Isso porque não estava bem, tinha feito quimio.

No dia do casamento eu estava muito bem, nem parecia que tinha passado por tudo que passei, mas minha força se chamava Alessandra. E dois dias após, eu estava internada  pra colocar novamente o cateter e começar a quimio. E lá se foi meu cabelo de novo…

Em setembro Ale fez uma quimio diferente que a debilitou muito, essa nova quimio era uma tentativa de reduzir o câncer que, tinha aumentado.

Um dia, antes de uma das minhas sessões de quimioterapia, que caiu no mesmo dia que a dela, estivemos juntas e, ela como sempre, fazendo planos pra próxima viagem me contou que havia comprado O Natal Luz em Gramado, e me convidou pra ir também, pois iria uma turma grande. Ela insistiu e acabei comprando. Marcamos para o dia 1 de Novembro.

Lembrei de uma vez que fui encontrar com Ale e seus pais em Buenos Aires, pra onde ela gostava muito de ir e, assim que entrei no quarto do hotel bateram na porta, era Ale com sua mãe que entraram trazendo uma taça de vinho e uma empanada pois sabiam que eu   adorava. Essa era Alessandra!

Em outubro ela continuava internada e no dia das crianças fui visitá-la. O quarto todo enfeitado e com docinhos pra quem fosse la. Aliás, todos os motivos eram pra festa.

No dia 1 de Novembro fiz minha viagem à Gramado, muito triste porque tinha perdido minha amiga e inspiradora de fé e coragem, no dia 29 de outubro. Ninguém tinha ânimo pra viajar, mas sua mãe, num gesto maior de nobreza, nos pediu pra viajar porque era o que Alessandra gostava mais de fazer.

Alessandra viajou pelo mundo e colecionava amigos de todas as partes. Era fácil gostar dela com seu jeito de menina e sempre com um sorriso pronto.

 

Esse projeto era um sonho da Alê e eu não poderia ficar de fora. Me sinto honrada em participar e devolver aos que precisam o que ela me deu, alegria, fé, coragem e nunca desistir de sonhar.

 

Obrigada minha amiga!

 

Meu nome é Maria Fernanda e essa é a minha historia, na qual sem Alessandra, não teria sido a mesma.

 

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Conheci  hoje um projeto interessante que apoia as pessoas a superar a insegurança durante o tratamento de  câncer.  O Portal Superação oferece apoio personalizado para quem esta em tratamento,conectando os pacientes a outras pessoas que já passaram por isso e a profissionais especializados . Conheça também e apoie o Portal.